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Um dia mais calmo em Quioto

Um percurso tranquilo pelos santuários, jardins e mercados de Quioto, com as boas maneiras locais que ajudam residentes e visitantes a partilhar a cidade.

Por · 4 min de leitura

Ilustração em plasticina de um viajante de casaco amarelo e calças verdes a fotografar um túnel de portões torii cor de laranja a partir de degraus de pedra, com uma lanterna de pedra, árvores verdes arredondadas, uma cerca de madeira, um pagode e colinas atrás.

Começa cedo em Fushimi Inari

Fushimi Inari Taisha é o santuário dos portões cor de laranja. Mais de 5000 torii sobem serpenteando pelas encostas do Inariyama, uma montanha sagrada com 233 metros de altitude, e toda a montanha conta como parte do recinto do santuário.

Não precisas de subir até ao topo. Caminha até os caminhos ficarem tranquilos e depois volta para trás, ou continua se os santuários lá de cima te tentarem: o guia oficial de Quioto chama ao percurso à volta deles uma agradável caminhada de um dia. Começar cedo compensa, se conseguires, e deixa o resto do dia livre.

Chegar lá é simples. A estação JR Inari, a duas paragens e cerca de cinco minutos da estação de Quioto pela linha JR Nara, fica mesmo ao lado do santuário. A estação Keihan Fushimi-Inari fica a cerca de cinco minutos a pé.

O santuário pede a todos os visitantes que:

  • comam apenas nas áreas de descanso assinaladas, e não enquanto caminham;
  • mantenham os caminhos estreitos desimpedidos, em vez de pararem neles para tirar fotografias ou filmar;
  • deixem os drones em casa e falem baixo, por respeito a quem vem rezar.

O Caminho do Filósofo e um jardim de templo

O Caminho do Filósofo acompanha um canal no sopé das colinas orientais de Quioto, entre o Ginkaku-ji, o Pavilhão de Prata, e a ponte Nyakuoji. Deve o nome ao filósofo Nishida Kitaro, uma de várias figuras conhecidas que por aqui caminhavam para pensar, e passa perto dos templos Honen-in e Anraku-ji. Na primavera, as cerejeiras em flor formam arcos sobre o caminho. O guia oficial de Quioto sugere as paragens de autocarro municipais Eikan-do-mae ou Ginkaku-ji para lá chegar.

Na mesma zona da cidade, o Nanzen-ji é uma pausa natural. É o templo principal da escola Rinzai do budismo zen e tem dois jardins onde vale a pena ficar sentado um bocado:

  • um jardim de pedras de paisagem seca junto ao pavilhão principal;
  • um jardim de musgo e pedras no subtemplo Nanzen-in.

Parte do aqueduto do lago Biwa, de 1890, ergue-se também no recinto do templo. Os jardins ficam especialmente bonitos quando as folhas mudam de cor no outono.

Se te atrai um jardim feito só de pedra e gravilha, guarda o Ryoan-ji para outro dia. O seu famoso jardim seco dispõe quinze rochas sobre gravilha branca alisada com ancinho, colocadas de forma a que nunca consigas ver as quinze a partir de um único ponto. Para lá dele, um jardim maior de árvores e musgo rodeia o lago Kyoyo-chi.

Almoço no Mercado Nishiki

O Mercado Nishiki, muitas vezes chamado a Cozinha de Quioto, começou como um mercado de peixe ao ar livre há cerca de 400 anos. Hoje é uma passagem com cerca de 400 metros de comprimento e menos de 4 metros de largura, com mais de 100 vendedores de legumes em conserva, tofu e yuba, doces japoneses, chá, saké, bolachas de arroz, utensílios de cozinha e cerâmica.

O comércio começa já a manhã vai adiantada, e a JNTO sugere chegar o mais perto possível das 11h00, antes de ficar muito cheio.

O pedido local aqui é simples. Quando comprares algo para comer, come-o na loja onde o compraste e deixa lá também o lixo. Assim a passagem estreita continua a andar e o mercado fica limpo.

Fins de tarde junto ao rio Kamo e boas maneiras em Gion

Quando o dia arrefece, desce até ao rio Kamo. As suas margens são o sítio onde as pessoas de Quioto vêm descontrair, e a paisagem muda com as estações e a hora do dia. Tem cuidado depois de chuvas fortes, porque a água pode subir muito.

No verão, jantar nos terraços noryo-yuka sobre o rio é uma tradição de Quioto. Em Pontocho, uma zona de ruas estreitas iluminadas por lanternas, podes reservar um jantar num deles.

Gion, por sua vez, é um bairro onde as pessoas vivem e trabalham, e pede cuidado aos visitantes:

  • Fica nas vias públicas e nas lojas. O distrito sul de Gion pede aos visitantes que não entrem em templos, santuários ou propriedades privadas sem autorização, e lembra que a invasão de propriedade, deitar lixo para o chão e obstruir o trânsito podem dar multa.
  • Deixa passar as geiko e as maiko. Não as faças parar, não lhes toques, não as sigas nem as fotografes sem autorização. Se gostarias de as ver atuar, vai antes a um espetáculo público.
  • Presta atenção aos avisos. Não é permitido fotografar em muitas partes de Gion, em partes de santuários e templos e em alguns restaurantes.
  • Leva o teu lixo contigo, e fala baixo nas ruas residenciais.

Andar pela cidade com calma

O guia oficial de Quioto aponta os comboios e o metro para as deslocações entre bairros. Os autocarros municipais dão jeito para trajetos mais curtos, mas podem ficar cheios, por isso algumas boas maneiras fazem muita diferença:

  • faz fila na paragem ou na plataforma;
  • mantém as conversas e as chamadas em voz baixa;
  • oferece os lugares prioritários às pessoas mais velhas, aos passageiros com deficiência e a quem leve um bebé;
  • não comas nem bebas a bordo.

As malas grandes são a outra coisa a deixar para trás. Quioto pede aos visitantes que usem a entrega de bagagem entre a estação de Quioto e o alojamento, ou que guardem as malas em cacifos, porque as malas grandes nos transportes públicos ocupam espaço de que os residentes precisam. Viajar de mãos livres também torna um dia lento ainda mais lento, no bom sentido.

Uma nota prática para o telemóvel: confirma a regra de ativação do teu plano eSIM antes de viajares e mantém o link da encomenda à mão, caso precises outra vez dos passos de instalação.

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